Iniciada
em 1757, terminara há vinte anos
a construção da igreja de
Feliciano Mendes. O santuário do
Senhor Bom Jesus de Matosinhos estava
pronto e sua decoração interna
acabara de se completar com a execução
dos painéis laterais da nave e
capela-mor, pelo pintor João Nepomuceno
Ferreira e Castro. Também concluída
a construção do adro e escadaria,
empreitada contratada por Maia Brito em
1777, e cujas obras prosseguiram praticamente
até 1790. Neste ano, definitivamente
concluído em sua parte arquitetônica
com sua entrada vedada por portões
de ferro, já rebocado e caiado,
o adro do Santuário do Senhor Bom
Jesus de Matosinhos ganharia, a partir
de 1796, os Passos da Paixão e
os Profetas, obras de Aleijadinho que
compõem o mais esplêndido
conjunto da arte barroca mundial.
É curioso o fato de, apesar
do adro concluído, não ter
sido pela obra dos profetas e sim pelas
imagens dos Passos que Aleijadinho iniciou
seu trabalho em Congonhas. Em 1796, os
Passos da Paixão eram apenas um
projeto, constante de uma petição
dirigida em 1794 ao bispo de Mariana,
requerendo a necessária autorização
para sua construção. É
interessante frisar que o aludido projeto
incluía, na época, duas
séries de capelas: Os Passos da
Paixão, na parte fronteira do templo,
e os passos da Ressurreição,
na parte posterior, a exemplo do Santuário
do Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal,
de cujo bispado era originário
o fundador do Santuário de Congonhas.
Entre 1º de agosto de 1796 e 31 de
dezembro de 1799, Aleijadinho executa,
com a colaboração dos oficiais
de seu atelier, as 66 figuras de madeira,
em seis capelas que viriam a ser construídas:
Ceia, Horto, Prisão, Flagelação
e Coroação de Espinhos,
Cruz-às-Costas e Crucificação.
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